terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Sacred Steel "Carnage Victory" REVIEW

1. Charge Into Overkill
2. Don't Break the Oath
3. Carnage Victory
4. Broken Rites
5. Crosses Stained With Blood
6. Ceremonial Magician of the Left Hand Path
7. The Skeleton Key
8. Shadows of Reprisal
9. Denial of Judas (Heaven Betrayed)
10. Metal Underground
11. By Vengeance and Hatred We Ride

Altura para falar no novíssimo álbum dos germânicos Sacred Steel.
«Carnage Victory» saiu em finais de Outubro por intermédio da Massacre Records e é já o 7.º álbum de originais de uma banda que bem cedo começou por dividir o universo metálico muito por culpa do seu vocalista Gerrit Mutz, que está longe de ser a voz mais consensual do Metal.

Quando soam os primeiros segundos de Charge Into Overkill algo me disse que vinha aí uma carga de porrada mesmo à Sacred Steel, entrada magistral de bateria por parte de Mathias Straub, guitarras com o peso do costume e a voz do Gerrit munida de gritos de diferentes tipos como se se tratasse de vários tipos de munições de guerra a disparar sobre aqueles que até aqui nunca foram à bola com a sua voz, para esses o meu conselho é que continuem à distância pois ele aqui tem tendência a tornar-se ainda mais irritante (leia-se viciante para os fãs :D).
Don't Break The Oath (tributo a King Diamond?) - é provável se tivermos em conta essencialmente as linhas vocais do Gerrit - no geral boa malha para crescer com o número de audições. A faixa título apresenta-nos um Gerrit novamente em excelente forma e alguns dos versos mais memoráveis de todo o disco estão aqui, juntando isso aos riffs bem catchys temos uma das malhas que mais depressa ficam no ouvido.
Broken Rites mantém-nos agarrados ao disco e Crosses Stained With Blood é talvez a minha faixa de eleição, grandes solos por tudo quanto é lado, mas é para as linhas vocais que considero que este disco foi talhado, com a excepção de By Vengeance And Hatred We Ride, que quando vi o alinhamento das músicas estava curioso para ver o que ia sair dali mas infelizmente é uma malha que penso que se adequava melhor ao «Slaughter Prophecy» de 2002.
A segunda metade do álbum decorre de uma forma mais mid-tempo com malhas como Ceremonial Magician Of The Left Hand Path e Denial of Judas (esta alterna com uma parte mais rápida) ou até mesmo Metal Underground, muito interessantes sempre conduzidas pela bateria do experiente Mathias Straub, que aqui rubrica mais um trabalho de mestre. Um disco cheio de grandes temas nivelado muito por cima que resulta numa excelente proposta para fãs de Heavy Metal , o que já vem sendo hábito quando se fala em Sacred Steel.
http://www.myspace.com/truesacredsteel
Death To Those Who Kill The Truth!

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Heavy Metal reviews - Hazy Hamlet «Forging Metal"» [2009]


Depois de olhar para o título do disco e para o artwork, muito dificilmente um fã de Heavy Metal seria traído por este quarteto oriundo do Paraná, Brasil.

Influenciados pelos colossos germânicos do costume: Accept, Running Wild, Grave Digger, entre outros, estes brasileiros vão ainda beber a outros campeonatos e acrescentam um toque épico às suas composições que só o US Metal nos pode dar. Com uma temática que me agrada particularmente e com músicas mais cadenciadas que exaustivamente rápidas, os Hazy Hamlet distiguem-se e afirmam-se como uma das melhores propostas de heavy tradicional que nos chega do Brasil. Um álbum para ouvir repetidas vezes e para nos irmos deixando levar pela voz mais áspera de Arthur Migotto, conduzida por fortes linhas de guitarra e um baixo precioso, em que só alguns coros dão um certo aspecto repetitivo ao álbum.
Apesar de só agora se terem estreado em registos de longa duração, estes defensores da fé já andam nisto há mais de uma década e mesmo sem o apoio de qualquer editora (ao que eles respondem: Proudly Independent!) vêem aqui o seu esforço reconhecido numa belíssima peça de arte bem à moda antiga. Um disco inundado por grandes temas de elevada consistência, alguns deles recuperados do passado, outros acabadinhos de forjar que nos conduzem a mais uma jornada gloriosa que culmina num momento sublime designadamente na malha The Faces Of Illusion, diria que a minha preferida do CD.

No ano em que o Benfica voltou a fazer jus ao seu passado goleando consecutivamente praticamente tudo o que lhe aparece à frente, o Heavy Metal mostra-se também de óptima saúde orgulhando as suas origens e alimentando a chama que nunca se apagará!

Hear the blade sing, See the blade shine, Feel the blade inside

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Heavy Metal reviews - Solitary Sabred "The Hero The Monster The Myth" [2009]

Primeiro, esta é a banda revelação do ano para mim e este é o meu álbum preferido de 2009. (Eu sei que só estamos em Outubro)
Segundo, só se não tiverem entendido bem o que eu escrevi, a que vão continuar a ler o resto da crítica na vez de irem JÁ ouvir Solitary Sabred!
Estes cipriotas assinaram recentemente pela grega Steel Legacy Records e estreiam-se aqui em álbuns de originais depois dum registo ao vivo, o ano passado.
Se forem ao dicionário e pesquisarem por Solitary Sabred encontrarão os seguintes sinónimos: Entrega, Luta, Paixão, Dedicação, Devoção, Amor à Causa, Heavy Metal!
Aquilo que podemos encontrar neste registo é o heavy metal servido da forma como eu mais gosto de o sentir, pura e descomprometida.
O tema de abertura Slayer's Oath e as suas potentes e sentidas vocalizações deixam-me arrepiado para o resto do dia, um tema que em 4 minutos e meio me convence logo em arregaçar as mangas, pegar numa espada e ir para o campo de batalha lado a lado com estes gloriosos guerreiros.
Disco que apesar de curto, está de tal forma preenchido que no fim de o ouvirmos são imensos os momentos que nos ficam e que fazem dele um disco tão rico e recheado.
Desde a primeira audição que este disco só me traz à memória uma coisa: MANOWAR num dos momentos mais sublimes e singulares de toda a história do Heavy Metal, materializado no seu disco «Into Glory Ride», a bíblia do Epic Heavy Metal que alguém jamais apagará. Juntem a isso outros clássicos incontornáveis do True Metal como «Battle Cry», «...And The Cannons Of Destruction Have Begun», «Open The Gates», por aí fora, e saberão do que estou a falar.
Todas as músicas são enormes e este álbum à imagem dos melhores clássicos do género não tem qualquer filler, ouçam e não se vão arrepender, isto companheiros é Heavy Metal.
Para terminar, e como qualquer disco que começa bem tem de acabar ainda melhor, The Trojan Hero dá a última machadada destes guerreiros e que machadada, somos presenteados por uma das faixas que mais adoro, uma atmosfera que não me atrevo sequer tentar descrever, só o Epic Metal para proporcionar momentos deste calibre!
Do último par de anos nao tenho a mínima dúvida, desde «To Death and Beyond...» que não me entusiasmava tanto com um álbum acabado de sair.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Heavy Metal reviews - Burning Starr «Defiance» [2009]

1. Inquisitor
2. Once And Future King
3. Defiance
4. Day Of The Reaper
5. Indian Nation
6. Black Clouds Of Thanos
7. The King Must Die
8. Ancient Ones
9. Catch The Rainbow
10. The Beast Inside
11. Evil Never Sleeps (Live)
.
Passados 20 anos após o seu último trabalho de originais sob o nome de Burning Starr, o guitarrista Jack Starr (ex-Virgin Steele) decide voltar a gravar material novo. Bom, eu devo admitir que mesmo sendo apreciador da era Jack Starr em Virgin Steele nunca tinha ouvido nada de Burning Starr mas era com curiosidade que esperava por este lançamento e aproveitei o balanço para me atirar de vez a estes tipos, e a verdade é que este disco caiu-me perfeitamente bem desde a primeira audição até à última que ainda está para vir.
Disco bastante variado com músicas desde o mais directo de um tema de abertura Inquisitor, a outras mais cadenciadas e até mesmo épicas como é o caso de Black Clouds of Thanos, uma composição digna de respeito. Once And A Future King a deixar no ar uma leve brisa Manowar que se vem a sentir noutras faixas do álbum como é exemplo o mortífero The King Must Die, e não é por acaso que este disco foi lançado pela Magic Circle Music, o que também só vem reforçar uma grande produção afastada de pretensiosismos mainstreams de certas editoras.
«Defiance» é um disco que se revela desde muito cedo extremamente forte, ouça-se por exemplo o tema título, um regalo para os meus ouvidos.. I'll be defiant to the end! Until the day that i dieee!
Guiado por bons solos de guitarra de inspiração Jack Starr o álbum segue na sua caminhada sempre equilibrada e triunfante como é exemplo o maravilhoso Ancient Ones, com um enorme solo de fazer bangar o Marco Horácio.
Depois da cover do clássico Catch The Rainbow, chega-nos o soberbo e singular The Beast Inside, sobrando apenas uma espécie de bonus que é o Evil Never Sleeps, gravado ao vivo no Magic Circle do ano passado :D (Se não soubesse que era um tema já antigo de Burning Starr dizia já que aquelas guitarras tresandam a Ross The Boss ehe)

Tudo isto somado ao magnífico artwork que o álbum apresenta, são razões mais que obrigatórias para não deixarem escapar um dos trabalhos mais apetecíveis do primeiro semestre de 2009.

When the battle is over
smoke will rise
the blood that spills
will not be mine!

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Heavy Metal reviews - In Solitude - "In Solitude" [2008]

Para aqueles que dizem que só não gostam de Mercyful Fate por causa da voz, já não têm desculpas para não ouvirem Heavy Metal inspirado não só no lado obscuro de Mercyful Fate mas também em bandas como Black Sabbath, Angel Witch, Iron Maiden, entre outras.

Da Suécia começam a ser extensos os casos recentes de boas bandas com um espírito totalmente old school a fazerem Heavy Metal tradicional, exemplos de Portrait e Enforcer, a estrearem-se em 2008, Helvetets Ports já este ano, para juntar aos já mais batidos nestas andanças Wolf e até RAM que este ano estão para lançar aquele que já vai ser o seu segundo álbum. E agora acrescento os In Solitude, com álbum de estreia em fins de Dezembro do ano passado, álbum esse que me faz abrir aqui um separador e recuar ligeiramente no tempo, não tanto quanto os In Solitude recuaram para nos brindar com esta obra prima de Heavy Metal intemporal.

Disco curto a rondar os 36 minutos, próprio para o vinyl, formato que os In Solitude parecem não prescindir, acredito que o futuro venha a dar um espaço a este álbum, quanto mais nao seja na memória daqueles que como eu gostam de Heavy Metal feito sem compromissos.

Still the rain kept falling...
The mass passed on through the mist...
A procession of dark coats...
Held high the crucifix

Desta forma começa aquele que para mim é um dos discos mais honestos que ouvi nos últimos tempos. Ao contrário de Portrait, o vocalista não tenta imitar King Diamond e isso acaba por ser uma mais valia para a banda pois desvia constantes comparações a que os compatriotas Portrait se vêem sujeitos.

Músicas como In the Darkness (bela abertura), Kathedral (será que ainda ninguém tinha inventado aquele riff?! :O), 7th Ghost (refrão muito Mercyful Fate), Faceless Mistress (viciante!), só para nomear algumas, elevam a qualidade deste álbum a um patamar que faz deste disco o meu preferido vindo de todo aquele leque recente repleto de qualidade que nomeei acima.

Um grande álbum de Heavy Metal que aconselho toda a gente ouvir, mesmo aqueles que nunca materializaram contacto com o estilo (estão à espera de quê?) ou que pensam que a música mais pesada é o caos e a poluição sonora de bandas que me recuso a citar os nomes, que ao longo dos anos se tornou moda os ninjas e os putos de calças ao fundo do cú ouvirem e chamarem Metal.

HAIL IN SOLITUDE! LONG LIVE HEAVY METAL!

terça-feira, 28 de abril de 2009

Heavy Metal reviews - Hyborian Steel "An Age Undreamt Of..." [2009]

1. Hyborian Steel
2. Cimmerian
3. Eyes of the Serpent
4. Pirates of the Black Coast
5. M.R.Z.
6. Heavy Metal Heaven (Heavy Load Cover)
7. Behind the Mirror
8. Bringers of Chaos
9. An Age Undreamt Of...


Howie Roberts - guitars and vocals
Theodore Ulysses Berry - lead guitars and keyboards
Valair Ushan - bass
John Blacksmith - drums

Natural de Crystal City (EUA), aparece-me esta banda vinda directamente do underground mas que me proporcionou um dos grandes momentos Heavy Metal do ano até ao momento!
Só o artwork deixou-me logo com água na boca por meter isto a rolar e não foram necessários muitos segundos para sentir que não fui defraudado por este quarteto ainda tenro, é uma verdade, mas que facilmente me prendeu por umas valentes audições.

O vocalista deambula entre um timbre mais agudo em que são frequentes as vezes em que dou comigo a pensar que estou perante Luca "Fils" (vocalista de Assedium), e outras vezes são conjugadas umas vozes com um tom mais áspero e barbárico muito ao jeito do Tann dos portugueses Ironsword.

Mas vamos ao álbum... arranca com a malha homónima da banda e que facilmente a imagino a ser entoada por todo um universo genuíno de fãs de Heavy Metal no Up The Hammers mais perto de nós. A intro desta música parece que foi tirada dum álbum de Manilla Road tal a sua similaridade.
Seguidamente temos Cimmerian, e esta aqueles que não deixaram escapar o Overlords Of Chaos dos Ironsword devem sentir aqui uma espécie de déja vu. Tal como os Ironsword estes rapazes também têm as suas raízes em bandas como Omen, Manilla Road, Crush, Medieval Steel, entre outras. Daí a naturalidade das sucessivas comparações a que nos confrontamos enquanto vamos ouvindo o disco.
Eyes of the Serpent é das minhas preferidas do álbum, a atmosfera Battleroar começa a vir ligeiramente ao de cima, esta faixa tem ali um riff que me atira para uma Egyptian Doom dos gregos. Grandes riffs e solos destes guitarristas a criarem todo um clima de batalha, fé e orgulho.
O álbum é totalmente épico e decorre de uma forma moderadamente mid-tempo, no entanto ainda há tempo para acelerar com um Pirates of the Black Coast, sempre com as duas vozes em sintonia e com uma bateria mais frenética que o habitual, segura por um baixo bastante presente que dá uma identidade curiosa às músicas.
Tempo também para uma instrumental a começar com um ambiente bem acústico que culmina numa entrada de bateria e um nítido acelerar com a entrada da segunda guitarra a motivar um andamento mais rápido à música e o último minuto sensivelmente é dedicado a uma sequência de solos simplesmente fantásticos e bangáveis.
Posto isto há tempo para uma cover de Heavy Load do tema Heavy Metal Heaven, um excelente convite para o resto do álbum que continua no Behind the Mirror, tema mais longo do disco e o mais arrastado de todos com o cariz épico do costume, no entanto acho que a banda por enquanto ainda se vai saindo melhor nos temas mais curtos, que o diga o Bringers Of Chaos, tema seguinte que exemplifica bem aquilo que acho que caracteriza neste momento os Hyborian Steel, que é o facto de conseguirem soar extremamente épicos sem terem que recorrer a temas muito longos, o que se pede, pois sou da opinião que longo e épico não têm que ser obrigatóriamente sinónimos.

Resumindo e concluindo, uma estreia promissora e mais uma óptima descoberta para mim inserida numa sonoridade pela qual já começava a desesperar por ver algo assim este ano, e que se vai revelando um belo aperitivo enquanto não sai cá para fora o novo album de Wotan.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Heavy Metal reviews - Crystal Viper "Metal Nation" [2009]

1. Breaking the Curse
2. Metal Nation
3. Bringer of the Light
4. 1428
5. The Anvil of Hate
6. Zombie Lust (Flesh Eaters)
7. Her Crimson Tears
8. Legions of Truth
9. Gladiator, Die by the Blade
10. Agents of Steel (Agent Steel cover)

Leather Wych (Marta Gabriel) - Vocals
Andy Wave - Guitar
Tom Woryna - Bass
Golem (Tomasz Danczak) - Drums

Depois do clássico instantâneo de 2007 - The Curse of Crystal Viper - um dos debuts mais impressionantes e ao mesmo tempo promissores no Heavy Metal dos últimos anos ainda por cima com uma senhora (vocalista) à frente da banda, tinha enorme curiosidade em seguir o percurso destes polacos e anseava de alguma forma por um segundo registo. Ora, nem foi preciso esperar muito até porque só conheci Crystal Viper acerca de um ano.

Antes demais devo já dizer que na minha opinião Metal Nation não supera o álbum de estreia e passo a explicar porquê. O álbum de estreia apresenta uma linha condutora bastante mais forte a nível de conteúdo devido também ao conceito a ele adjacente e que aqui não foi traçado. É lá que ainda hoje podemos encontrar os marcos da banda em termos de som, com os seus maiores hinos e as suas melhores músicas. Não estou com isto a querer dizer que Metal Nation não tem interesse atenção! Porque sinceramente eu consigo adorar este disco de uma forma diferente do primeiro é certo mas não menos apaixonada acreditem.

Quando ouvimos a malha Metal Nation, o grande hino reservado para este CD, é impossível não reconhecer que isto é Crystal Viper! Mal começam a soar as guitarras, a seguir a voz da Marta e cai-me tudo, Crystal Viper em grande estilo!

Bringer of The Light começa a deixar antever uma proximidade a uma sonoridade mais europeia deixando de lado o Heavy Metal de veia mais americana do primeiro álbum, esta malha lembra muito Running Wild sobretudo nos instantes iniciais.

A participação de músicos como Manni Schmidt (Grave Digger), Frank Knight (X-Wild) e Lars Ramcke (StormWarrior), ajudam a salientar esse carácter mais europeu e assumem-se boas adições, ouça-se por exemplo Legions Of Truth com Lars Ramcke a dividir os vocais com Marta e aquela guitarra no início mesmo à la german speed metal tiradinha dum álbum de StormWarrior eheh uma malha enorme só estragada pelos últimos 30 segundos que parece que nunca mais acabam.

Zombie Lust (Flesh Waters) e Gladiator By The Blade são mais dois exemplos de faixas tipicamente Crystal Viper, com a Leather Wych sempre em grande forma, esta mulher tem um pulmão de meter inveja a muito gajo.

A própria balada inserida no álbum parece que vem obedecer aquela regra mítica da baladinha da praxe nos álbuns de power metal, mas podem crer que a faixa está soberba, sem ser nada lamechas.

Ah! outra coisa, a cover de Agent Steel ficou fantástica!

No final de contas estamos perante um álbum cheio de argumentos para figurar entre os melhores, no que vai de ano.

terça-feira, 31 de março de 2009

Heavy Metal reviews - Hibria "The Skull Collectors" [2009]

1. Tiger Punch
2. Reborn from Ashes
3. Screaming Ghost
4. Sea of Revenge
5. The Anger Inside
6. Devoted to Your Fear
7. The Skull Collectors
8. Burning All the Flags
9. Wings of Wax

Iuri Sanson - vocals
Marco Panichi - bass
Diego Kasper - guitars
Abel Camargo - guitars
Eduardo Reis - drums

Lançado em finais de 2008 no Japão, só em 2009 chegou às prateleiras da Europa com o selo da Remedy Records. Produzido pelos membros Diego Kasper e Marco Panichi, e masterizado na Alemanha por Achim Köler, The Skull Collectors sucede assim ao colossal petardo de estreia - Defying the Rules - lançado em 2004.

O que temos aqui é um trabalho digno de ser ouvido por parte de uma banda que se mostra perfeitamente convicta das suas potencialidades. Na hora de fazer Heavy Metal, estes tipos não tremem, com temas galopantes, os Hibria só conhecem duas velocidades - rápido e muito rápido - em mais um disco que não melindra em nada o som da banda e lhe acrescenta mais 9 temas de puro delírio Heavy Metal!

Com prestações dignas de registo por parte de todos os executantes, desde o estreante Eduardo Reis que se afirma um baterista creditado para o som dos Hibria, ao baixista Marco Panichi que se começa logo a destacar na primeira malha, onde pode ser ouvido todo o protagonismo do seu baixo, estamos perante um álbum que se revela "melhor" a cada nova audição. Insistência ou confiança por parte de quem o ouve talvez seja mesmo o que este disco mais necessita em relação ao seu antecessor, que considero um clássico instântaneo, um dos grandes debuts da década de 2000.

O duo de guitarristas continua a desenvolver o magnífico trabalho, e aqui aqueles que já conhecem a banda sabem do que falo, excelente trabalho de guitarras por parte de Diego Kasper e Abel Camargo, com riffs e arranjos ainda mais complexos que dantes e ao mesmo tempo a soarem na perfeição.
Uma palavra também para Iuri Sanson, um fantástico vocalista e disso não tenho a mínima dúvida, a sua voz resulta muito bem no som da banda, e são já uma imagem de marca os poderosos agudos que Iuri facilmente atinge e que nos levam até às origens do Heavy Metal.

O tema de abertura Tiger Punch é escolhido a dedo para abrir um disco bem pesado e agressivo destes brasileiros. Mas isto é só o príncipio dum álbum recheado de temas electrizantes e cheios de energia de princípio a fim.
Destaco temas como Reborn From The Ashes, Sea Of Revenge (que malha!), Screaming Ghost, The Anger Inside, e Wings of Wax que encerra o álbum com chave de ouro, malhas destas fazem-nos acreditar porque é que o público do Heavy Metal mesmo que em menor escala nunca se há-de render às novas tendências e havemos de estar aqui sempre presentes para apoiar e divulgar este tipo de bandas.

The Skull Collectors é uma autêntica pedra de Heavy Metal com raízes bem tradicionais nos anos 80, ao qual é acrescentada alguma da irreverência de anos mais recentes e a força de uma produção actual.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Heavy Metal reviews - Wizard "Thor" [2009]

1. Utgard (False Games)
2. Midgards Guardian
3. Asgard
4. Serpents Venom
5. Resurrection
6. The Visitor
7. What Would You Do?
8. Utgard (The Beginning)
9. Stolen Hammer
10. Lightning
11. Pounding In The Night


Sven D'Anna - Vocals
Dano Boland - Guitars
Michael Maass - Guitars
Volker Leson - Bass
Snoppi Denn (Sören van Heek) - Drums
Data de lançamento: Janeiro 2009/Massacre Records

Formados ainda nos finais da saudosa década de 80, os alemães Wizard só em 1995 chegam ao seu primeiro álbum de estúdio. Apartir daí, a máquina germânica não mais abrandou e foi sempre a facturar registos ano sim, ano não.

Desde a sua fundação até aos dias de hoje que, para além da ausência do guitarrista Michael Maass de 2003 a 2007 por motivos pessoais, os Wizard não sofreram qualquer alteração de line up e parecendo que não, este é um pormenor que abona a seu favor e que lhes assegura toda uma estabilidade e entrosamento que de outra forma seria mais difícil.

Apelidados como a resposta alemã aos Manowar, os germânicos Wizard aos poucos foram saindo do underground até serem um nome bastante conhecido, especialmente na Alemanha.
Caracterizados por abordarem uma temática ora em redor do True Metal ora directamente relacionada com a mitologia, os alemães dedicam este álbum a uma das figuras mais míticas da mitologia nórdica – Thor – filho de Odin, o supremo Deus de Asgard e de Jord, Deusa da Terra.

Thor é um álbum recheado de grandes malhas de princípio a fim, sem trazer obrigatoriamente nada de novo até porque a fórmula do bom Heavy Metal já é antiga, reflecte um grande poder de inspiração por parte de todos os músicos e acaba por resultar muito bem num álbum que na minha opinião é um dos melhores da banda.

Desde a faixa de abertura, Utgard (False Games) até à última Pounding In The Night é como que um destilar contínuo de grandes melodias e excelentes coros em que nos deixamos envolver pelo espírito do poderoso Thor, de onde destaco passagens como:

"I'm Thor, the mighty god
The lord of rain and storm
Now build a fire
For feast it shall be warm"

Destacar malhas neste álbum é bastante difícil, estamos perante 11 temas bastante coesos guiados pela excelente voz de Sven D’Anna e conduzidos por uma bateria sempre a alta velocidade com riffs de guitarra memoráveis, ouça-se Midgards Guardian com um dos riffs que mais me ficou na cabeça.

Portanto, estamos perante um registo que seguramente enche de orgulho o público do costume e dificilmente despertará a atenção de novos turistas, o que no fundo é bom sinal.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Heavy Metal reviews – Saxon “Into The Labyrinth” [2009]

1. Battalions Of Steel
2. Live To Rock
3. Demon Sweeney Todd
4. The Letter
5. Valley Of The Kings
6. Slow Lane Blues
7. Crime Of Passion
8. Premonition in D Minor
9. Voice
10. Protect Yourselves
11. Hellcat
12. Come Rock Of Ages (The Circle Is Complete)
13. Coming Home (Bottleneck Version)





Biff Byford - Vocals
Paul Quinn – Guitar
Doug Scarratt – Guitar
Nibbs Carter – Bass
Nigel Glockler – Drums

Data de lançamento: Janeiro 2009 SPV/Steamhammer

Ultrapassados quase dois anos depois do lançamento do maravilhoso The Inner Sanctum de março de 2007, chega-nos novamente mais um lançamento daquela que é uma das bandas mais emblemáticas do Heavy Metal clássico.

Into The Labyrinth não poderia arrancar em melhor estilo, a faixa Battalions Of Steel oferece-nos um ambiente a roçar o épico com uma performance de Biff Byford arrasadora. Excelente refrão tem esta música.

O single do disco é o tema seguinte - Live To Rock - faz logo lembrar o tema I’ve Gotta Rock (To Stay Alive) do último disco, ou ainda o mais antigo Rock is our Life, pois bem já não é de agora que os catedráticos Saxon apostam nestes temas.
Tema este que já tinha sido adiantado pela banda desde Outubro do ano passado portanto os fãs já sabem o que esperar dele, é certo que é algo mais comercial que o resto do álbum mas sem cair em lamechices.

A faixa que se segue é a rápida Demon Sweeney Todd para os fãs da fase mais ríspida sentirem que a banda ainda está de óptima saúde mesmo após 18 albuns de estúdio e mais de 30 anos de carreira, irrepreensível nos seus quase 4 minutos, nada a dizer.
The Letter introduz aquela que é a minha música preferida do álbum - Valley Of The Kings - é qualquer coisa que eu não consigo descrever, um misto de agressividade e um andamento bem rápido que logo se torna cadenciado e doce quando chega ao refrão, antes do solo tem um momento sublime com Biff Byford de forma pausada a arrancar meia dúzia de versos que rapidamente esbarram num solo quase possuídor! Bem estruturada é o tipo de malhas que sozinha por si só já motiva o interesse em meter a rodela no leitor! Five stars ;)

Seguidamente somos confrontados com mais umas músicas tipicamente Saxon, das quais destaco a magnífica Hellcat com mais uma demonstração por parte dos britânicos de que velhos são os trapos, sempre com um clima rockeiro aliado ao seu Heavy Metal tradicional, Saxon sabe fazer isto como ninguém.
Há ainda tempo para recuperar o tema Coming Home do Killing Ground e assim encerrar de forma fresca mais uma bela proposta desta lenda da NWOBHM.